Cinema Solitário

Esses dias, fui ver “Amor sem escalas”, com o George Clooney. Adiei por muito tempo minha ida ao cinema, pois muita gente vinha me dizer que a história do filme não era lá essas coisas. Fiquei com uma pulga atrás da orelha. Além de o longa ter recebido seis indicações ao Oscar (o que, claro, não necessariamente quer dizer muita coisa), ouvi falar muito bem dele antes do lançamento. Mas enfim, fui. E fui sozinha. Foi a primeira vez que fui ao cinema sozinha (sim, eu sou normal, só nunca tinha tido a oportunidade).

Preciso dizer que não concordo com quem não gostou do filme. Os personagens são ótimos, daqueles com quem qualquer um se identifica. Claro que com um cara que não tem casa, passa a vida viajando de um lado para o outro do país e dormindo em hotéis nem todo mundo consegue se identificar. Chega uma hora, no entanto, em que a gente descobre – e ele mesmo descobre – que ser a sétima pessoa a conseguir somar dez milhões de milhas no cartão da American Airlines não é o único objetivo da vida dele. E ele vai atrás daquilo que, até a pouco tempo atrás, era a única coisa que ele achava que não precisava (no caso, uma mulher – se por acaso alguém que não viu o filme não sacou ainda do que eu estava falando).

Aliás, essa é a minha parte preferida em todos os filmes. Aquela em que o protagonista se dá conta do que fez de errado e vai correndo atrás do ser amado no aeroporto, se joga na frente do táxi, corre na chuva – tem que ser na chuva, claro, não pode ser fácil. Enfim, todos esses clichês que chegam a ser um pouco ridículos, mas que dão vontade de pular da cadeira do cinema e de gritar “Run, Forrest! Run!” (quem não viu Forrest Gump não entendeu a piada, mas paciência).

Entendi o motivo para não se gostar do filme. Digamos que, ele não tem um final feliz. Não que o final seja triste, mas não é bem o que a gente espera de um final digno de Hollywood – não depois de toda essa cena do “em busca da mulher amada”. Mas não dá para se dizer que o final é ruim. O que a gente leva do filme mesmo, e faz a gente pensar após aquele momento crítico em que as pessoas saem tropeçando da sala do cinema, porque a luz acabou de ser acesa, não é o final.

Tem uma frase que o George Clooney fala lá pelo meio do filme que eu acho que simplifica o que eu estou querendo dizer: “A vida não tem graça sem companhia.”. Tá, legal, e lá tava eu sozinha vendo um filme sobre um cara sozinho. Mas não se preocupem, eu não entrei em depressão. Isso porque eu me dei conta de que – pelo menos na maioria das vezes – eu tenho companhia para ir ao cinema.

Pequeno Comentário: Eu DETESTO as traduções brasileiras para nomes de filme. Up in the air = Amor sem escalas. Sem comentários.

março 3, 2010. Tags: , , , , , . Cinema, Vida. Deixe um comentário.

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