Top Secret

O The Washington Post fez uma série de reportagens investigativas sobre a segurança secreta norte americana, a Top Secret America. O trabalho dos vinte jornalistas envolvidos na investigação havia começado há mais de um ano e conseguiu dados bem impressionantes – principalmente para quem não é dos Estados Unidos.

Reportagem no site do Washington Post

As investigações apontam que, no total, cerca de 850 mil pessoas estão envolvidas nos serviços secretos. Quem trabalha dentro dos prédios ligados à Agência Nacional de Segurança – que se encontram espalhados em todo o país – passa rotineiramente por detectores de mentiras, e, em alguns casos, é treinado para receber identidades falsas. E eu que pensava que a indústria cinematográfica exagerava.

De tão grande e complexa que é a rede entre as sedes da Agência e as companhias estadunidenses que realizam serviços para ela, ninguém sabe ao certo a quantidade de dinheiro envolvido nela. Há dúvidas até quanto à verdadeira eficácia do serviço. O especial do jornal americano já terminou, mas está disponível no site do Post, aqui. Vale a pena conferir o material preparado.

Quem comentou sobre a Top Secret America, em seu blog, foi o jornalista Rodrigo Lopes, aqui.

julho 24, 2010. Tags: , , , , , , , , . Jornalismo. Deixe um comentário.

De ogros a dragões

É difícil falar com alguém que não goste de Shrek. O humor pra todos os públicos, aquele ogro nojento e verde que no fundo tem sentimentos – afinal, ogros são como cebolas -, o burro chato e feliz demais. Tudo isso é realmente irresistível. Pois a Dreamworks acertou de novo.

“Como treinar seu dragão” tem tudo para ser amado como o Shrek. Até vikings nojentos e, aparentemente, sem sentimentos – lembra alguma coisa? O filme tem aquela velha história do filho desengonçado que é diferente do resto das pessoas e não exatamente como o pai quer. Apesar de gostar de ser assim mais avançado do que os outros e não querer ser um viking nojento que mata dragões, ele quer impressionar o pai e tenta ser o que ele não é – o que, obviamente, não dá certo. O final todo mundo já sabe.

            O que faz valer a pena pagar um ingresso para assistir ao filme são, além das imagens muito bem feitas, as personalidades de cada um dos personagens. Só o dragão, carinhosamente apelidado de Banguela, já rende umas boas risadas e uns “Ohhh” de quem assiste ao filme.

            Mas não adianta eu ficar falando isso aqui. Só indo no cinema mesmo para entender. Vale à pena! Um dos melhores filmes de animação que eu vi nos últimos tempos. Claro que não supera “Up!” nem “Wall-e” – esses dois não são páreo, já que são praticamente desenhos para adultos. Aliás, isso é uma característica cada vez mais forte nos desenhos da Pixar (da Disney, na verdade). Um robô simpático que vive carente em um mundo deserto e devastado pelos humanos egoístas? Coitadas das criancinhas, Walt Disney! Isso sem falar naquela cena de “Up!” que mostra a história do Seu Fredericksen e da mulher dele. E não me digam que eu estou exagerando, eu sei que não fui a única que chorou nessa cena – o que seria bem provável. Eu ouvi umas boas fungadas na sala do cinema nessa hora.

            Os filmes da Dreamworks, pelo contrário, investem na comédia mesmo – para crianças e para adultos. Cada piada em sua devida situação. Basta olhar para os últimos filmes lançados por eles para ver a semelhança: “Madagascar”, “Monstros x Alienígenas”, “Bee Movie”, “Os Sem- Floresta”. “Como Treinar seu dragão” não foge à regra, mas se você, leitor desse humilde blog, for como eu, estiver na TPM, ou em um dia meio deprê, dá até para dar uma choradinha.

abril 9, 2010. Tags: , , , , , , , , , . Cinema. 1 comentário.

Um conto e algumas observações

Pois é, acabo de decidir que esse blog pode ter uns contos meus e coisas do tipo de vez em quando. Sabe como é, falta um pouco de tempo e de vontade para eu atualizar ele como ele merece, então hoje eu resolvi postar esse conto que eu escrevi. Em breve farei um post não tão preguiçoso, prometo. Aliás, ía ser bem legal saber se alguém passa por aqui de vez em quando, então uns comentáriozinhos viriam bem ;) Pode até dizer que tá horrível, eu aguento.

 

Flores Amarelas

 - Feliz aniversário, querido!- disse a mulher do vestido amarelo.

Parecia ter entre 60 e 70 anos, mas seu sorriso largo e o brilho de seus olhos azuis poderiam pertencer a uma menina de oito anos. Ela sentou-se devagar.

- Está ficando difícil, sabia? Vir até aqui falar com você. Não tenho mais trinta anos. – disse ela tentando ficar séria.

- Você não sabe mentir para mim, sei que não está brava. – disse ele com sua voz doce.

- Senti falta da sua voz – disse ela engolindo em seco.

- Você sabe como me encontrar, querida.

- Sim, sei- disse ela mexendo na barra do vestido

- Está de amarelo, não está?

- Estou- disse ela rindo – Como você sabe?

- Não me esqueci do dia em que nos conhecemos, querida.

A mulher sorriu. Também não havia esquecido. Podia esquecer-se de pagar as contas, ultimamente, ou trocar o nome dos médicos, mas daquele dia não. Disso ela não esqueceria.

Chovia e fazia frio naquele fim de outubro. Marieta havia saído de casa para comprar pães para a mãe. Estava usando seu vestido preferido, o amarelo, e a sombrinha de mesma cor que sua avó a havia dado. Sempre havia gostado da chuva. De sair na rua na chuva. Desde pequena sempre buscava motivos para sair de casa e ver a água pingando nas calçadas, sentir o cheiro da grama molhada. Ele trabalhava no caixa da pequena padaria perto da igreja. “Você gosta de amarelo, não é?”, perguntou ele tímido. “Sim.”- disse ela sorrindo com curiosidade – “É minha cor preferida. Por quê?”. “Fica lindo em você”, respondeu ele. Quando chegou em casa, ainda pensando no que havia acontecido, Marieta abriu o pacote de pães e viu, em cima de tudo, uma pequena flor. Uma flor amarela.

- Eu te amei desde a primeira vez em que te vi sorrir. – disse ele, interrompendo suas lembranças. -Como está nossa filha?

- Está bem, está ótima. Pedro faz um bem danado para ela, não sei o que seria da Isabela sem ele. – Marieta sorriu com ternura – Ritinha também está linda. É um doce de menina. Cresceu tanto desde a última vez em que a viu! Ela sente a sua falta.

- Sinto falta dela também.

- Eu sinto a sua falta. – disse ela, agora com seus olhos azuis marejados de lágrimas. – Quero te encontrar logo.

- Eu sei querida, também quero, mas não pode apressar as coisas. Promete que terá paciência? Sei que você consegue. Já passou por tanto…

- Prometo. – disse Marieta abrindo um sorriso relutante.

A mulher calou-se por um instante com o olhar preso nas nuvens acinzentadas que contrastavam com o céu exageradamente azul que fazia naquela tarde.

- A senhora já terminou, dona Marieta?- perguntou o jovem moreno de uniforme branco que a esperava a alguns metros dali- Parece que vai chover daqui a pouco. Não queremos que fique doente de novo. – disse ele sorrindo afetuosamente.

Marieta assentiu para o jovem e voltou a olhar para frente – Eu te amo, querido- disse ela abrindo seu sorriso. – Nos vemos em breve!

Marieta levantou-se e colocou gentilmente o buquê de flores que segurava entre os dedos sobre o túmulo de seu marido. Flores amarelas.

março 26, 2010. Tags: , , , . Contos e etc.. 5 comentários.

Do arco-e-flecha ao laptop

A BBC está fazendo um especial de duas semanas para mostrar e avaliar o impacto da internet no mundo. Correspondentes de vários países fazem matérias tanto com quem nunca teve contato com ela, quanto com quem tem contato até demais. A BBC Brasil está produzindo um material muito legal com uma tribo indígena, na divisa da Rondônia com o Mato Grosso.

Os Suruí, diferente do que a gente costuma imaginar, mandam muito bem em computadores e afins. O líder da tribo descobriu uma maneira de usar a web e suas ferramentas para uma causa maior: a denúncia do desmatamento na região. Os indígenas começaram seu projeto disponibilizando no Google Earth um mapa que conta a história de seu povo. Logo, passaram a divulgar imagens das florestas (ou melhor, da falta delas). A partir daí, a história da tribo e de sua luta ganhou mundo e trouxe veículos de comunicação e interessados de todos os lugares à região. O Google todo-poderoso é parceiro dos Suruí e ajudou a tribo a se familiarizar com o computador.  Segue abaixo um vídeo que mostra como a ideia toda começou.

É sempre bom ver que a web é usada para iniciativas legais como essa. Principalmente quando elas vêm de um lugar tão inusitado.

Leia aqui o diário que o correspondente da CNN Brasil escreve enquanto acompanha os Suruí.

março 12, 2010. Tags: , , , , , , , , . Jornalismo. Deixe um comentário.

Cinema Solitário

Esses dias, fui ver “Amor sem escalas”, com o George Clooney. Adiei por muito tempo minha ida ao cinema, pois muita gente vinha me dizer que a história do filme não era lá essas coisas. Fiquei com uma pulga atrás da orelha. Além de o longa ter recebido seis indicações ao Oscar (o que, claro, não necessariamente quer dizer muita coisa), ouvi falar muito bem dele antes do lançamento. Mas enfim, fui. E fui sozinha. Foi a primeira vez que fui ao cinema sozinha (sim, eu sou normal, só nunca tinha tido a oportunidade).

Preciso dizer que não concordo com quem não gostou do filme. Os personagens são ótimos, daqueles com quem qualquer um se identifica. Claro que com um cara que não tem casa, passa a vida viajando de um lado para o outro do país e dormindo em hotéis nem todo mundo consegue se identificar. Chega uma hora, no entanto, em que a gente descobre – e ele mesmo descobre – que ser a sétima pessoa a conseguir somar dez milhões de milhas no cartão da American Airlines não é o único objetivo da vida dele. E ele vai atrás daquilo que, até a pouco tempo atrás, era a única coisa que ele achava que não precisava (no caso, uma mulher – se por acaso alguém que não viu o filme não sacou ainda do que eu estava falando).

Aliás, essa é a minha parte preferida em todos os filmes. Aquela em que o protagonista se dá conta do que fez de errado e vai correndo atrás do ser amado no aeroporto, se joga na frente do táxi, corre na chuva – tem que ser na chuva, claro, não pode ser fácil. Enfim, todos esses clichês que chegam a ser um pouco ridículos, mas que dão vontade de pular da cadeira do cinema e de gritar “Run, Forrest! Run!” (quem não viu Forrest Gump não entendeu a piada, mas paciência).

Entendi o motivo para não se gostar do filme. Digamos que, ele não tem um final feliz. Não que o final seja triste, mas não é bem o que a gente espera de um final digno de Hollywood – não depois de toda essa cena do “em busca da mulher amada”. Mas não dá para se dizer que o final é ruim. O que a gente leva do filme mesmo, e faz a gente pensar após aquele momento crítico em que as pessoas saem tropeçando da sala do cinema, porque a luz acabou de ser acesa, não é o final.

Tem uma frase que o George Clooney fala lá pelo meio do filme que eu acho que simplifica o que eu estou querendo dizer: “A vida não tem graça sem companhia.”. Tá, legal, e lá tava eu sozinha vendo um filme sobre um cara sozinho. Mas não se preocupem, eu não entrei em depressão. Isso porque eu me dei conta de que – pelo menos na maioria das vezes – eu tenho companhia para ir ao cinema.

Pequeno Comentário: Eu DETESTO as traduções brasileiras para nomes de filme. Up in the air = Amor sem escalas. Sem comentários.

março 3, 2010. Tags: , , , , , . Cinema, Vida. Deixe um comentário.

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